domingo, 8 de fevereiro de 2009

Índice de Desenvolvimento Juvenil retrata a vulnerabilidade da juventude brasileira

Foi lançado no dia 19/12/08, em Brasília, o Relatório de Desenvolvimento Juvenil 2007, estudo elaborado pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz. O lançamento acontece na sede da Rede de Informação Tecnológica Latino Americana (Ritla), situado na SHS Q.06, Conj. A, Bloco C - Salas 1102 a 1108, Ed. Brasil XXI.


Este é o terceiro relatório sobre o assunto – os anteriores foram divulgados em 2003 e em 2005. Utilizando as bases de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (IBGE), do Subsistema de Informações de Mortalidade (Ministério da Saúde) e do Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Básico (MEC), o estudo elabora um amplo panorama da situação da juventude nas 27 Unidades da Federação.

Lançado pela UNESCO em março de 2004, o Relatório de Desenvolvimento Juvenil revela a situação social e econômica dos jovens brasileiros na faixa de 15 a 24 anos A partir dessa análise, o Relatório propõe um indicador sintético das condições de vida da juventude denominado Índice de Desenvolvimento Juvenil (IDJ). Para sua construção são usados critérios semelhantes aos do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) – educação, saúde e trabalho – adaptando-os de modo a contemplar questões específicas relacionadas aos jovens.

Desta forma, o IDJ foi integrado pelas seguintes dimensões: educação (taxas de analfabetismo, de jovens que freqüentam o Ensino Médio em diante e a qualidade do ensino); saúde (índices de mortalidade por causas violentas e causas internas); e renda, indicada pelo rendimento familiar per capita dos jovens nos estados brasileiros.

A pesquisa dedicou capítulos específicos a cada uma dessas dimensões, verificando a incidência de diversos aspectos, como gênero, cor/raça, rural/urbano para compor um extenso painel dos diversos avanços e limitações no desenvolvimento humano da juventude do país. Além desses capítulos permanentes, o Relatório de 2007 elaborou um adendo para analisar as relações da juventude brasileira com o universo digital, especificamente, com a Internet.


Algumas conclusões da pesquisa:


• No IDJ, os primeiros lugares corresponderam ao Distrito Federal, Santa Catarina e São Paulo, Os últimos lugares no índice correspondem a Alagoas, Pernambuco e Maranhão.
• Resultado de políticas nacionais de combate ao analfabetismo e, fundamentalmente, da recente universalização na cobertura do Ensino Fundamental, o analfabetismo juvenil dá sinais de desaparecer em curto prazo. Se em 1993 a taxa de analfabetos jovens era de 8,2%, em 2001 caiu para 4,2%; em 2003 para 3,4% e em 2006 para 2,4%. A região Nordeste concentra 2/3% dos jovens analfabetos do País e o analfabetismo é maior entre os negros (3,2%) do que entre brancos (1,4%), e entre os homens (3,2%) do que entre as mulheres.
• A partir das avaliações realizadas pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), conclui-se que a qualidade do ensino vem sofrendo erosão contínua desde 1997, com taxas decrescentes de aproveitamento nas provas.
• Só 33% dos jovens tiveram acesso à Internet, taxa que pode ser considerada extremamente baixa se comparada com a dos países da Europa.
O lançamento do Relatório de Desenvolvimento Juvenil 2007 é promovido pela Rede de Informação Tecnológica Latino Americana (RITLA), o Instituto Sangari e o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

Fonte: Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI)


O ranking dos Estados brasileiros segundo o IDJ e os índices parciais, pode ser observado na tabela abaixo. O índice varia de 0 a 1, sendo que quanto mais próximo de zero piores as condições de vida dos jovens.

Unidade da federação - IDJ

Santa Catarina
0,673
Distrito Federal
0,652
Rio Grande do Sul
0,646
São Paulo
0,622
Paraná
0,600
Minas Gerais
0,565
Goiás
0,558
Rio de Janeiro
0,557
Mato Grosso do Sul
0,543
Mato Grosso
0,530
Espírito Santo
0,502
Rio Grande do Norte
0,479
Tocantins
0,474
Amapá
0,473
Rondônia
0,472
Bahia
0,463
Maranhão
0,442
Ceará
0,440
Pará
0,438
Amazonas
0,428
Sergipe
0,425
Piauí
0,423
Roraima
0,413
Paraíba
0,396
Acre
0,385
Pernambuco
0,361
Alagoas
0,337

A crise financeira que atinge a economia dos EUA

A crise no mercado hipotecário dos EUA é uma decorrência da crise imobiliária pela qual passa o país, e deu origem, por sua vez, a uma crise mais ampla, no mercado de crédito de modo geral. O principal segmento afetado, que deu origem ao atual estado de coisas, foi o de hipotecas chamadas de "subprime", que embutem um risco maior de inadimplência.
O mercado imobiliário americano passou por uma fase de expansão acelerada logo depois da crise das empresas "pontocom", em 2001. Os juros do Federal Reserve (Fed, o BC americano) vieram caindo para que a economia se recuperasse, e o setor imobiliário se aproveitou desse momento de juros baixos. A demanda por imóveis cresceu, devido às taxas baixas de juros nos financiamentos imobiliários e nas hipotecas. Em 2003, por exemplo, os juros do Fed chegaram a cair para 1% ao ano.
Em 2005, o "boom" no mercado imobiliário já estava avançado; comprar uma casa (ou mais de uma) tornou-se um bom negócio, na expectativa de que a valorização dos imóveis fizesse da nova compra um investimento. Também cresceu a procura por novas hipotecas, a fim de usar o dinheiro do financiamento para quitar dívidas e, também, gastar (mais).
As empresas financeiras especializadas no mercado imobiliário, para aproveitar o bom momento do mercado, passaram a atender o segmento "subprime". O cliente "subprime" é um cliente de renda muito baixa, por vezes com histórico de inadimplência e com dificuldade de comprovar renda. Esse empréstimo tem, assim, uma qualidade mais baixa --ou seja, cujo risco de não ser pago é maior, mas oferece uma taxa de retorno mais alta, a fim de compensar esse risco.
Em busca de rendimentos maiores, gestores de fundos e bancos compram esses títulos "subprime" das instituições que fizeram o primeiro empréstimo e permitem que uma nova quantia em dinheiro seja emprestada, antes mesmo do primeiro empréstimo ser pago. Também interessado em lucrar, um segundo gestor pode comprar o título adquirido pelo primeiro, e assim por diante, gerando uma cadeia de venda de títulos.
Porém, se a ponta (o tomador) não consegue pagar sua dívida inicial, ele dá início a um ciclo de não-recebimento por parte dos compradores dos títulos. O resultado: todo o mercado passa a ter medo de emprestar e comprar os "subprime", o que termina por gerar uma crise de liquidez (retração de crédito).
Após atingir um pico em 2006, os preços dos imóveis, no entanto, passaram a cair: os juros do Fed, que vinham subindo desde 2004, encareceram o crédito e afastaram compradores; com isso, a oferta começa a superar a demanda e desde então o que se viu foi uma espiral descendente no valor dos imóveis.
Com os juros altos, o que se temia veio a acontecer: a inadimplência aumentou e o temor de novos calotes fez o crédito sofrer uma desaceleração expressiva no país como um todo, desaquecendo a maior economia do planeta --com menos liquidez (dinheiro disponível), menos se compra, menos as empresas lucram e menos pessoas são contratadas.
No mundo da globalização financeira, créditos gerados nos EUA podem ser convertidos em ativos que vão render juros para investidores na Europa e outras partes do mundo, por isso o pessimismo influencia os mercados globais.
Financiadoras
Em setembro do ano passado, o BNP Paribas Investment Partners --divisão do banco francês BNP Paribas-- congelou cerca de 2 bilhões de euros dos fundos Parvest Dynamic ABS, o BNP Paribas ABS Euribor e o BNP Paribas ABS Eonia, citando preocupações sobre o setor de crédito 'subprime' (de maior risco) nos EUA. Segundo o banco, os três fundos tiveram suas negociações suspensas por não ser possível avaliá-los com precisão, devido aos problemas no mercado "subprime" americano.
Depois dessa medida, o mercado imobiliário passou a reagir em pânico e algumas das principais empresas de financiamento imobiliário passaram a sofrer os efeitos da retração; a American Home Mortgage (AHM), uma das 10 maiores empresa do setor de crédito imobiliário e hipotecas dos EUA, pediu concordata. Outra das principais empresas do setor, a Countrywide Financial, registrou prejuízos decorrentes da crise e foi comprada pelo Bank of America.
Bancos como Citigroup, UBS e Bear Stearns têm anunciado perdas bilionários e prejuízos decorrentes da crise. Entre as vítimas mais recentes da crise estão as duas maiores empresas hipotecárias americanas, a Fannie Mae e a Freddie Mac. Consideradas pelo secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, "tão grandes e tão importantes em nosso sistema financeiro que a falência de qualquer uma delas provocaria uma enorme turbulência no sistema financeiro de nosso país e no restante do globo", no dia 7 deste mês foi anunciada uma ajuda de até US$ 200 bilhões.
As duas empresas possuem quase a metade dos US$ 12 trilhões em empréstimos para a habitação nos EUA; no segundo trimestre, registraram prejuízos de US$ 2,3 bilhões (Fannie Mae) e de US$ 821 milhões (Freddie Mac).
Menos sorte teve o Lehman Brothers: o governo não disponibilizou ajuda como a que foi destinada às duas hipotecárias. O banco previu na semana passada um prejuízo de US$ 3,9 bilhões e chegou a anunciar uma reestruturação. Antes disso, o banco já havia mantido conversas com o KDB (Banco de Desenvolvimento da Coréia do Sul, na sigla em inglês) em busca de vender uma parte sua, mas a negociação terminou sem acordo.
O Bank of America e o Barclays também recuaram, depois que ficou claro que o governo não iria dar suporte à compra do Lehman. Restou ao banco entregar à Corte de Falências do Distrito Sul de Nova York um pedido de proteção sob o "Capítulo 11", capítulo da legislação americana que regulamenta falências e concordatas.
Combate
Como medida emergencial para evitar uma desaceleração ainda maior da economia --o que faz crescer o medo que o EUA caiam em recessão, já que 70% do PIB americano é movido pelo consumo--, o presidente americano, George W. Bush, sancionou em fevereiro um pacote de estímulo que incluiu o envio de cheques de restituição de impostos a milhões de norte-americanos.
O pacote estipulou uma restituição de US$ 600 para cada contribuinte com renda anual de até US$ 75 mil; e US$ 1.200 para casais com renda até US$ 150 mil, além de US$ 300 adicionais por filho. Quem não paga imposto de renda, mas recebe o teto de US$ 3 mil anuais, teve direito a cheques de US$ 300.
FONTE: Folha Online

sábado, 31 de janeiro de 2009

Espaço geográfico e paisagem

Espaço geográfico
A paisagem construída pela sociedade

Quando você abre a janela e observa a rua, ou o que houver ao redor de sua casa, você está diante de uma paisagem.Esteja no campo, ou na cidade, você observará elementos que podem ser naturais ou construídos pelos seres humanos.Os elementos naturais numa paisagem são, por exemplo: as árvores (e outros tipos de plantas que não foram cultivadas pelas pessoas), os rios, o solo, os morros, o mar. Há paisagens nas quais existem muitos elementos naturais, como as que podemos observar em florestas (a Amazônica, por exemplo, que vem sofrendo com o desmatamento acelerado nos últimos anos).
Já os elementos da paisagem que foram construídos pelos seres humanos, pelas mulheres e homens, são chamados de humanizados, culturais ou mesmo artificiais. São as casas, os edifícios, as ruas, os viadutos, as plantações (cultivos), as pastagens formadas pelas pessoas. Esses elementos são um resultado da ação humana, do trabalho de mulheres e homens.

Mas nas paisagens também existem outros aspectos percebidos pelos nossos sentidos: os sons, os cheiros, os movimentos - a circulação de pessoas e de veículos.

Paisagem humanizada
Considerando os movimentos nas paisagens, podemos perceber que elas mudam de um momento para outro. Por isso, afirmamos que elas são dinâmicas, estão sendo constantemente modificadas. Elas podem ser modificadas também: quando casas ou prédios são derrubados, e outros são construídos; quando uma área de floresta é desmatada; quando ocorre uma colheita numa área cultivada, por exemplo, com arroz; quando ruas, viadutos, pontes, rodovias, são construídos, etc.No mundo atual praticamente não existe paisagem natural; são muito restritas as áreas onde existem apenas elementos naturais. Os oceanos, por exemplo, são constantemente atravessados por navios de todo tipo, seus recursos são explorados (inclusive de seu subsolo), em seus leitos há milhares de quilômetros de cabos submarinos feitos de cobre ou fibra óptica, que possibilitam as comunicações entre milhões de pessoas de diferentes continentes, diariamente. Em diversos trechos da floresta Amazônica são desenvolvidas pesquisas, atividades de exploração, muitas delas prejudiciais ao ambiente.A paisagem humanizada (artificial ou cultural) é a que está presente nos mais vastos recantos do planeta. Nela coexistem elementos naturais e artificiais, havendo uma predominância destes últimos. No entanto, é preciso considerar que mesmo muitas plantas que existem nas paisagens bastante humanizadas, como as das grandes cidades, não apareceram e cresceram naturalmente, elas foram plantadas pelas pessoas. A sua existência, portanto, naquele determinado local, é resultado da ação humana.

Modificações e descobertas

Nas paisagens também encontramos elementos que foram construídos em diferentes épocas. Muitas vezes, em áreas onde a ocupação humana é antiga e contínua, verifica-se a presença de construções de diferentes períodos históricos. Em relação a isso, podemos pensar, por exemplo, em regiões da Índia e da Itália. Mas podemos também considerar algumas cidades brasileiras que foram fundadas no primeiro século da presença dos portugueses no Brasil: Olinda, Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, entre outras. Nessas cidades e em muitas outras coexistem o velho e o novo, o antigo e o moderno.As modificações nas paisagens também estão relacionadas com as novas descobertas que os seres humanos vão realizando, em termos tecnológicos, que fazem surgir novos modos de se produzir, novas mercadorias e novas formas arquitetônicas, entre outros. Por outro lado, há mudanças nas paisagens que são resultado de fatores naturais como a alternância entre o dia e a noite, e entre as estações do ano (quando podem ser percebidas, dependendo da localização); ou até de terremotos, por exemplo.

Espaço geográfico

Se fossemos consultar num dicionário a palavra espaço, constataríamos que há uma grande quantidade de significados. Para geografia o espaço são as paisagens, as relações que se estabelecem entre as pessoas (sociais, econômicas, políticas, etc.), as relações entre as pessoas e a natureza, e as próprias pessoas. Esse espaço é chamado de espaço geográfico.Percebemos, assim, que a noção de espaço geográfico é mais ampla que a de paisagem. Ao pensarmos no espaço geográfico estamos pensando nos elementos e aspectos que existem nas paisagens, mas também nas diversas ações que as pessoas realizam nas paisagens. Essas ações correspondem aos variados tipos de atividades humanas: trabalho, estudo, lazer. Envolvem, portanto, relações econômicas, sociais e políticas. Trata-se de algo bastante dinâmico.

ATIVIDADE

As imagens mostram a cidade de Essen, na Alemanha, em três momentos históricos. Observe-as com toda atenção e faça a descrição de cada uma. Posteriormente, elabore um texto relacionando-as.

Tema: "As transformações da paisagem na cidade de Essen".
CONCEITOS DESENVOLVIDOS NA ATIVIDADE: paisagem e espaço geográfico.




ESSEN - 1829



ESSEN - 1867




ESSEN - HOJE
Terra Geographie 1. Stuttgart, Klett, 1991. Fonte: Adaptado do vestibular - PUC/SP (1995).
Profº Rodrigo/Geografia

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

IDH



Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009

Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)


Imagem capturada na Internet

Tal como prometi aos alunos, estou disponibilizando a lista dos países que constam no Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) de 2007-2008, divulgado no final do ano passado (novembro), porém os dados utilizados são de 2005.Desde o início dos anos 90, a Organização das Nações Unidas (ONU) passou a classificar anualmente os países em função da qualidade de vida, a qual é expressa através do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).Esse índice expressa a qualidade de vida das pessoas com base na renda per capita, no grau de saúde e nas condições educacionais da população.A renda per capita corresponde à renda nacional de um país dividida pelo número de seus habitantes. A renda nacional é a soma de todos os rendimentos recebidos durante um ano pelos habitantes de um país, como salários, lucros, aluguéis, juros etc.O grau de saúde é indicado pela expectativa de vida, isto é, pelo número de anos que as pessoas vivem em média, o que – por sua vez – depende muito dos índices de mortalidade, na qual se inclui a mortalidade infantil.As condições de educação referem-se aos índices de analfabetismo e à taxa de matrículas no Ensino Fundamental, Médio e Superior.
Como vimos, em sala de aula, a tabela de conversão do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) varia de 0 a 1, na seguinte ordem:

- igual ou maior que 0,800 (IDH elevado)

- de 0,500 a 0,799 (IDH médio)

- menor que 0,500 (IDH baixo).

Neste último Relatório, o Brasil ocupa o 70º da lista, estando na categoria dos países de IDH elevado, ou seja, ele se configura entre os 70 países com qualidade de vida alto.Será que os indicadores utilizados, principalmente de ordem econômica, é adequado para avaliar a realidade dos países, principalmente, os subdesenvolvidos, onde a má distribuição de renda é algo bastante expressivo? Será que ele não escamoteia a realidade?Vamos discutir isso, em sala de aula, à partir da charge abaixo:



Imagem capturada na Internet
IDH Elevado
1. Islândia (0,968)2. Noruega (0,968)3. Austrália (0,962)4. Canadá (0,961)5. Irlanda (0,959)6. Suécia (0,956)7. Suíça (0,955)8. Japão (0,953)9. Holanda (0,953)10. França (0,952)11. Finlândia (0,952)12. Estados Unidos (0,951)13. Espanha (0,949)14. Dinamarca (0,949)15. Áustria (0,948)16. Reino Unido (0,946)17. Bélgica (0,946)18. Luxemburgo (0,944)19. Nova Zelândia (0,943)20. Itália (0,941)21. Hong Kong (China RAE - 0,937)22. Alemanha (0,935)23. Israel (0,932)24. Grécia (0,926)25. Singapura (0,922)26. Coréia do Sul (0,921)27. Eslovênia (0,917)28. Chipre (0,903)29. Portugal (0,897)30. Brunei (0,894)31. Barbados (0,892)32. República Tcheca (0,891)33. Kuwait (0,891)34. Malta (0,878)35. Catar (0,875)36. Hungria (0,874)37. Polônia (0,870)38. Argentina (0,869)39. Emirados Árabes Unidos (0,868)40. Chile (0,867)41. Barém (0,866)42. Eslováquia (0,863)43. Lituânia (0,862)44. Estônia (0,860)45. Letônia (0,855)46. Uruguai (0,852)47. Croácia (0,850)48. Costa Rica (0,846)49. Bahamas (0,845)50. Seichelles (0,843)51. Cuba (0,838)52. México (0,829)53. Bulgária (0,824)54. São Cristovam e Névis (0,821)55. Tonga (0,819)56. Líbia (0,818)57. Antígua e Barbuda (0,815)58. Omã (0,814)59. Trinidade e Tobago (0,814)60. Romênia (0,813)61. Arábia Saudita (0,812)62. Panamá (0,812)63. Malásia (0,811)64. Belarus (Bielorrúsia - 0,804)65. Maurício (0,804)66. Bósnia e Herzegovina (0,803)67. Federação Russa (0,802)68. Albânia (0,801)69. Macedônia (0,801)70. Brasil (0,800)
IDH MÉDIO
71. Dominica (0,798)72. Santa Lúcia (0,795)73. Cazaquistão (0,794)74. Venezuela (0,792)75. Colômbia (0,791)76. Ucrânia (0,788)77. Samoa Ocidental (0,785)78. Tailândia (0,781)79. República Dominicana (0,779)80. Belize (0,778)81. China (0,777)82. Granada (0,777)83. Armênia (0,775)84. Turquia (0,775)85. Suriname (0,774)86. Jordânia (0,773)87. Peru (0,773)88. Líbano (0,772)89. Equador (0,772)90. Filipinas (0,771)91. Tunísia (0,766)92. Fiji (0,762)93. São Vicente e Granadinas (0,761)94. Irã (0,759)95. Paraguai (0,755)96. Geórgia (0,754)97. Guiana (0,750)98. Azerbaijão (0,746)99. Sri Lanka (0,743)100. Maldivas (0,741)101. Jamaica (0,736)102. Cabo Verde (0,736)103. El Salvador (0,735)104. Argélia (0,733)105. Vietname (0,733)106. Palestina (0,731)107. Indonésia (0,728)108. Síria (0,724)109. Turquemenistão (0,713)110. Nicarágua (0,710)111. Moldávia (0,708)112. Egito (0,708)113. Usbequistão (0,702)114. Mongólia (0,700)115. Honduras (0,700)116. Quirguistão (0,696)117. Bolívia (0,695)118. Guatemala (0,689)119. Gabão (0,677)120. Vanuatu (0,674)121. África do Sul (0,674)122. Tajiquistão (0,673)123. São Tomé e Príncipe (0,654)124. Botswana (0,654)125. Namíbia (0,650)126. Marrocos (0,646)127. Guiné Equatorial (0,642)128. Índia (0,619)129. Ilhas Salomão (0,602)130. Laos (0,601)131. Cambodja (0,598)132. Mianmar (0,583)133. Butão (0,579)134. Comores (0,561)135. Gana (0,553)136. Paquistão (0,551)137. Mauritânia (0,550)138. Lesoto (0,549)139. Congo (0,548)140. Bangladesh (0,547)141. Suazilândia (0,547)142. Nepal (0,534)143. Madagáscar (0,533)144. Camarões (0,532)145. Papua Nova-Guiné (0,530)146. Haiti (0,529)147. Sudão (0,526)148. Quênia (0,521)149. Djibouti (0,516)150. Timor Leste (0,514)151. Zimbabué (0,513)152. Togo (0,512)153. Iêmen (0,508)154. Uganda (0,505)155. Gâmbia (0,502)
IDH BAIXO
156. Senegal (0,499)157. Eritréia (0,483)158. Nigéria (0,470)159. Tanzânia (0,467)160. Guiné (0,456)161. Ruanda (0,452)162. Angola (0,446)163. Benim (0,437)164. Malawi (0,437)165. Zâmbia (0,434)166. Costa do Marfim (0,432)167. Burundi (0,413)168. Congo, Rep. Democrática (0,411)169. Etiópia (0,406)170. Chade (0,388)171. República Centro-Africana (0,384)172. Moçambique (0,384)173. Mali (0,380)174. Níger (0,374)175. Guiné-Bissau (0,374)176. Burquina-Faso (0,370)177. Serra Leoa (0,336)

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Evolução da população das regiões brasileiras nos últimos 50 anos

Nos últimos 50 anos, a população brasileira teve seu efetivo mais que duplicado (2,4 vezes), passando de pouco mais de 70 milhões em 1960, para cerca de 170 milhões segundo os dados do censo 2000. Como pode se ver, ao longo da segunda metade do século XX, o contingente populacional brasileiro foi acrescido de aproximadamente 100 milhões de pessoas, isto é, quase três vezes a população da Argentina.Se em números absolutos a população sempre cresceu, a taxa média de crescimento anual vem apresentando significativa diminuição. Assim, segundo o censo de 1960 (que revelou as tendências demográficas da década anterior), o ritmo de crescimento da população brasileira naquela data era ligeiramente superior a 3,0%. O censo de 2000 revelou que esta taxa caiu para quase a metade (1,6%). A principal explicação para esta queda tem sido a redução do ritmo do crescimento vegetativo, causado principalmente pela expressiva queda das taxas de natalidade. Grande parte dessa situação é decorrência do intenso e rápido processo de urbanização pelo qual o país vem passando.Quando analisamos o crescimento populacional sob a ótica das regiões político-administrativas que compõem o país, poderemos constatar uma série de fatos. Primeiramente, a população absoluta de todas as regiões apresentou um expressivo crescimento, embora o ritmo desse incremento tenha sido bastante diferenciado. Por exemplo, as regiões Norte e Centro-Oeste tiveram no período, um ritmo de crescimento sempre superior a média brasileira, enquanto a Região Nordeste sempre foi aquela área do Brasil que apresentou os menores índices de incremento populacional. Essa variação nos ritmos de crescimento é explicada fundamentalmente por dois aspectos: as diferenças na intensidade do crescimento vegetativo de cada região e as migrações internas.Neste ponto, vale a pena chamar a atenção para outros dois aspectos da evolução demográfica das regiões. O primeiro deles é que, embora o crescimento vegetativo venha apresentando uma queda de ritmo em todas as unidades regionais, este decréscimo tem se verificado de forma diferente no tempo e no espaço. Assim, nas regiões consideradas mais desenvolvidas (Sul e Sudeste), a diminuição aconteceu antes que no Norte e Nordeste, as duas áreas tidas como as menos desenvolvidas do país..Um segundo aspecto é que o comportamento das migrações internas também mudou, especialmente no que diz respeito às origens e destinos dos deslocamentos. Entre as décadas de 1950/70, os mais expressivos fluxos populacionais verificavam-se entre as regiões (especialmente do Nordeste para as outras unidades regionais) e tinham fundamentalmente origem rural e destino urbano. Da década de 1980 em diante, os mais expressivos deslocamentos internos da população passaram a ser mais intra-regionais e ter origem urbana (pequenas e médias cidades) e destino urbano (médias e grandes cidades).Apesar de todas transformações pelas quais o Brasil passou nos últimos 50 anos, praticamente não houve alteração no ranking das regiões mais e menos populosas do país. Aquelas com maior população absoluta atual, isto é, a Sudeste (72,3 milhões), a Nordeste (47,7 milhões) e a Sul (25,1 milhões) mantiveram-se, como em 1960, nas primeiras colocações. A única modificação ocorreu na colocação das regiões Norte e Centro-Oeste que contam hoje, respectivamente, com 12,9 milhões e 11,6 milhões de habitantes.Até o censo de 1980, o Centro-Oeste era mais populoso que o Norte, situação esta que se inverteu em 1991. A explicação para o fato é principalmente de natureza político-administrativa: em 1988 foi criado o estado do Tocantins, desmembrado de Goiás, um estado do Centro-Oeste. O novo estado foi então incorporado à Região Norte que, com isso, passou a ter cerca de 900 mil pessoas a mais em seu efetivo populacional.Uma evolução peculiar: o caso da Região NorteA Região Norte que possuía cerca de 2,5 milhões de pessoas em 1960, teve seu efetivo aumentado cerca de 5 vezes, passando para quase 13 milhões em 2000. O ritmo de crescimento da população regional passou por dois momentos distintos. Entre as décadas de 1950 `e 1970, o ritmo foi crescente; nas décadas posteriores, esse ritmo diminuiu. Mesmo assim, desde os anos 70, a região tem sido aquela que apresenta os maiores ritmos de crescimento dentre todas as unidades regionais do país.O aumento do efetivo demográfico da maior e menos populosa região do Brasil, é explicado por um conjunto de fatores onde se ressaltam as migrações internas. A criação da Zona Franca de Manaus, a implantação de projetos agrominerais, pecuários e florestais, a construção de rodovias de integração e a descoberta de ouro, atraíram expressivos contingentes de pessoas de outras regiões, a maioria delas proveniente do Nordeste, Sul e Sudeste.De maneira geral, os migrantes nordestinos dirigiram-se especialmente para o Tocantins, as porções meridionais do Pará, o Amapá e Roraima. Muitos vieram atraídos pela descoberta de veios e garimpos de ouro. Outros, em busca de terras, estabeleceram-se como posseiros em terras devolutas ou de latifúndios improdutivos. Alguns, ainda, se empregaram em projetos minerais, florestais ou participaram da construção de estradas e usinas hidrelétricas.Já os fluxos migratórios originários do Sul e do Sudeste foram atraídos pelos processos particulares de colonização. Implantados por empresas privadas, estes projetos ofereciam terras a preços baixos, especialmente em Rondônia. Assim, paranaenses, gaúchos, mineiros, dentre outros, estabeleceram-se como pequenos proprietários e, não só foram responsáveis pelo surgimento de novas áreas de agricultura comercial modernizada, como também pelo aparecimento e crescimento explosivo de novas cidades.Todavia, o fluxo de imigrantes para a Região Norte na década de 1990, embora ainda expressivo, diminuiu sensivelmente. A migração originária do Sul e do Sudeste praticamente estancou. Rondônia, o maior pólo de recepção de migrantes na década de 70, foi substituído por Roraima na década seguinte. Este último estado, por sua vez, foi substituído pelo Amapá como o maior centro receptivo de migrantes na ultima década do século XX.Por fim, um outro aspecto que vale destacar é o grande desequilíbrio demográfico existente entre os estados que compõem o Norte do país. Assim, o Pará concentra atualmente quase metade (47,9%) da população regional , seguido do Amazonas (21,7%). Portanto, apenas essas duas unidades federativas, das sete que compõem a região, concentram praticamente 70% de todo o efetivo da população regional.

Fluxos migratórios contemporâneos

As migrações internacionais nos últimos dois séculos podem ser divididas em pelo menos três fases distintas. A primeira delas, do século XIX até a Segunda Guerra Mundial; a segunda, de 1945 até o início dos anos 1970 e, a última fase, seria aquela que vem ocorrendo nos últimos trinta anos.A primeira fase teve como uma de suas características principais o fato de que a grande maioria dos imigrantes era originária do continente europeu. Cerca de 50 milhões de europeus deixaram o Velho Continente nesta fase. Essa intensa imigração teve como causa principal uma forte pressão populacional resultante da explosão demográfica pela qual os países do continente vinham passando desde meados do século XIX. É claro que a evolução dos meios de comunicação, especialmente aqueles relacionados à navegação transoceânica, em muito contribui para que esses fluxos acontecessem.Os imigrantes eram originários de toda a Europa, mas os britânicos, italianos, alemães, espanhóis, russos e portugueses se constituíram em mais de 80% do total. De maneira geral, eles se dirigiram para países “novos” como os EUA, que recebeu aproximadamente 33 milhões de imigrantes , a Argentina (6,4 milhões), o Canadá (5,2 milhões), o Brasil (4,4 milhões) e a Austrália (3 milhões). Juntaram-se a estes fluxos aqueles formados por europeus que se dirigiram para as colônias.Um pouco mais tarde o fluxo aumentou por conta dos asiáticos. Primeiramente os chineses e depois os japoneses imigraram para as terras do Novo Mundo. Por volta de 1880, a América do Norte recebeu cerca de meio milhão de asiáticos.O fluxo se modificou no período entre-guerras. Sua principal característica foi a diminuição numérica dos imigrantes, não só pelo alívio das pressões demográficas na Europa, como também pelas conseqüências da Primeira Guerra Mundial. Também contribuiu de forma decisiva a adoção, por parte da maioria dos países tradicionalmente receptores, de leis que restringiam a imigração, especialmente para aqueles que se dirigiam para os EUA. Por fim, a crise econômica desencadeada em 1929, contribui de forma significativa para a redução dos fluxos migratórios.Os fluxos migratórios da segunda fase (1945/70)Depois da Segunda Guerra, os fluxos migratórios mudaram radicalmente. A Europa com o fim do conflito, precisava promover sua reconstrução e, para isso, era necessário um tipo de mão-de-obra não-qualificada para desenvolver determinadas ocupações que um europeu “médio” não estava mais disposto a exercer. O continente europeu deixava de ser uma área essencialmente repulsora de população.A Europa recebeu nessa época cerca de 13 milhões de imigrantes . Os principais países receptores foram a ex- Alemanha Ocidental, a França, a Grã Bretanha, a Bélgica, a Suíça e a Holanda. Á guisa de comparação, no mesmo período, os EUA receberam quase 3 milhões de imigrantes a menos.A origem dos imigrantes também mudou. O Terceiro Mundo forneceu a maior parte dessas dos imigrantes. As razões de saída dos imigrantes estiveram ligadas, entre outros motivos, à pressão demográfica que esses países passaram a sofrer. A bacia do Mediterrâneo forneceu aproximadamente 8 milhões de imigrantes (magrebinos, turcos, iugoslavos) e, ainda que a imigração de italianos e espanhóis para países e regiões mais desenvolvidas da própria Europa tenha diminuído sensivelmente nos anos 1960, os movimentos migratórios que tinham como origem Portugal se prolongaram pela década seguinte..Os outros fluxos em direção ao continente europeu vieram da África.Já os imigrantes que se dirigiram aos EUA tinham como origem o Caribe, o México, a América do Sul e Central, além daqueles originários dos países do Oriente Médio, sul e sudeste asiáticos..Os fluxos migratórios da dos últimos trinta anosPor volta do meio da década de 1970, os fluxos migratórios denominados por alguns como “migrações de trabalho” diminuíram sensivelmente ou simplesmente estancaram em razão da crise econômica e do aumento do desemprego. A imigração clandestina passou a ser o componente maior das migrações que se dirigiam para a Europa e para os EUA.Em função do fechamento das destinações tradicionais, a imigração passou a se dirigir para países como a Itália, Espanha, Portugal e Grécia, aproveitando a entrada desses três últimos na Comunidade Européia. Esses países passaram a ter a função de “escala temporária” em direção aos países tradicionais de acolhimento como a Alemanha e França.Por outro lado, os choques do petróleo tiveram como efeito diversificar os fluxos, já que a “decolagem econômica” dos países produtores, como alguns do Golfo Pérsico, a Líbia, a Nigéria e Venezuela passaram a atrair imigrantes. Essa não foi uma migração durável e nem familiar já que em função de conjunturas econômicas desfavoráveis, muitos desses imigrantes foram obrigados a voltar a seus países de origem. Foi o que aconteceu, por exemplo, com os imigrantes de Gana expulsos da Nigéria ou os da Tunísia que tiveram que deixar a Líbia.Cerca de 7 milhões de pessoas se dirigiram para países da região do Golfo Pérsico, sobretudo originários de países próximos dos produtores de petróleo, mas também da Ásia de Sul e Sudeste ( filipinos, indianos e paquistaneses).Atualmente, maioria dos imigrantes continua a se dirigir preferencialmente para os EUA e Europa. Em contrapartida, os países onde se originam os fluxos de saída são muito diversos. Um dos aspectos mais importantes dos recentes movimentos migratórios refere-se à composição da imigração. As leis restritivas, paradoxalmente, favoreceram a vinda legal de membros das famílias dos imigrantes já estabelecidos (mulheres e crianças) em detrimento de homens adultos que, por sua vez passaram a trilhar cada vez mais o caminho da imigração ilegal.Nas últimas décadas do século XX, a “imigração familiar” correspondeu a 55% dos imigrantes entrados na Suíça, 70% na França e 90% na Bélgica. A acolhida de refugiados fez seu número aumentar em função da multiplicação dos conflitos regionais. No total, os EUA acolheram 5,8 milhões de pessoas entre 1980 e 1990 e, sem dúvida, quase esse mesmo número somente entre 1990/95.As leis norte-americanas de 1980 e 1986 tentaram regularizar cerca de 4 milhões de imigrantes clandestinos. As quotas, revisadas periodicamente, são fixadas e privilegiam a chegada de mão-de-obra qualificada e diplomada. As admissões passaram a ser bastante seletivas e o imigrante do Terceiro Mundo pobre, sem formação e que não fala a língua do país que o acolhe, praticamente não tem chance de ser aceito. Dependendo do caso, o acolhimento só é possível para refugiados políticos, cuja importância numérica é cada vez maior.Novos fluxos migratóriosSegundo a ONU, em 1995, havia entre 120 e 130 milhões de pessoas vivendo fora de seu país, não sendo contados aí aqueles indivíduos classificados como refugiados. A última década do século XX conheceu uma diversificação das destinações. Os países mediterrâneos componentes da União Européia passaram à condição de terra de acolhimento de imigrantes. Ao mesmo tempo, os fluxos migratórios se acentuaram na Ásia de sudeste e leste.Novos fluxos migratórios ligados à abertura das fronteiras da Europa de Leste e da antiga URSS passaram a se dirigir especialmente para a Alemanha. Antes da queda do Muro de Berlim em 1989, existiam vivendo no Leste Europeu e Rússia, cerca de 4 milhões de alemães; desses, mais ou menos metade retornou ao solo da Alemanha unificada.A Alemanha também acolheu aproximadamente 1 milhão de refugiados das guerras que se verificaram no território da antiga Iugoslávia, fato que reforçou ainda mais a condição de principal país de acolhimento de imigrantes no continente europeu. Hoje, em território alemão, existem cerca de 6,5 milhões de estrangeiros, cerca de 1/3 do total de imigrantes acolhidos por todos os 15 membros da União Européia.Os fluxos migratórios ocasionados pelo fim do bloco comunista são ainda mal conhecidos, visto que o campo migratório continua aberto e amplo. Deve-se lembrar também que cerca de 1 milhão de judeus deixou a Rússia e dirigiu principalmente para Israel.As autoridades russas estimam que as trocas de população entre a Rússia e as ex-repúblicas que compunham a URSS envolveram no mínimo 10 milhões de pessoas. Fora isso, não se deve esquecer que existe algo em torno de 15 milhões de russos vivendo nas ex-repúblicas soviéticas.Entre 1991 e 2000, os fluxos migratórios mundiais em direção à Europa norte-ocidental devem ter sido da ordem de 15 milhões de pessoas, sendo que metade delas vindas do antigo bloco soviético e, o restante, originários do Magreb, África em geral e Ásia.

África: novos conflitos, novos personagens

Esses conflitos, classificados genericamente de étnicos e que eclodem periodicamente em países da África Subsaariana, têm como tônica o envolvimento de povos vizinhos, cujas características são mais ou menos diferentes. Alguns desses conflitos são esporádicos e duram alguns dias ou semanas, como tem acontecido na Nigéria. Outros, como na região da África Oriental (Planalto dos Grandes Lagos), no Sudão, na Somália, no Congo, mas também na África Ocidental (Libéria, Serra Leoa, Costa do Marfim), são bem mais graves e persistentes podendo durar vários anos e têm sido responsáveis por milhões de vítimas.Na maior parte dos casos, os conflitos são internos, entre populações mais ou menos próximas, muitas vezes misturadas, como é o caso de tutsis e hutus em Ruanda e no Burundi. Todavia, tem sido cada vez mais comum que esses conflitos acabem envolvendo países vizinhos, como o que ocorreu recentemente na República Democrática do Congo (ex-Zaire) onde forças armadas de Ruanda, Uganda, Zimbabue e Angola não só tomaram partido das facções congolesas em luta, como acabaram se enfrentando em pleno território congolês.A novidade dos conflitos recentes é que eles não são mais explicados apenas por razões geopolíticas de grande envergadura (tipo capitalismo x socialismo), como acontecia no tempo da Guerra Fria. Por outro lado, a ação de grupos fundamentalistas islâmicos, fenômeno que pode ser considerado de grande envergadura no início do século XXI , têm importância pequena ou quase nula no contexto geopolítico do centro-sul do continente. Vale ressaltar que na região da bacia do Congo e do Planalto dos Grandes Lagos, o número de muçulmanos é bem pouco expressivo e é justamente nessas regiões que os conflitos têm sido mais mortíferos e duradouros.Não se pode também entender os conflitos da África Subsaariana sem se levar em conta a extrema diversidade étnica e lingüística da região e, sobretudo, não se deve esquecer que nessa parte do mundo o tráfico negreiro durou cerca de três séculos. Esse evento histórico deixou marcas profundas no relacionamento entre grupos "capturados" e "captores" que o tempo não tem conseguido apagar.A multiplicação dos conflitos pode ser explicada também pelo crescimento demográfico dos diferentes grupos étnicos e pela necessidade de cada um deles em estender suas terras cultivadas para compensar os efeitos da degradação dos solos. A exacerbação dos conflitos entre hutus e tutsis em Ruanda resultou, parcialmente, da luta por terra férteis num pequeno país cuja densidade demográfica é de aproximadamente 300 habitantes por km2.Ademais, a África Subsaariana tem sofrido, mais do que em outras partes, dos problemas ambientais inerentes ao mundo tropical, sobretudo porque as produções agrícolas se fazem principalmente sobre solos lateríticos pobres e frágeis. Na África, fora dos vales, os diferentes grupos étnicos que praticam a agricultura, cujos rendimentos declinam sistematicamente, se esforçam em estender seu território em detrimento dos grupos vizinhos.Os recentes conflitos africanos ensejaram o surgimento ou realçaram a ação de novos e antigos personagens. Se durante a Guerra Fria as figuras mais importantes dos conflitos eram militares ou homens públicos, hoje seus papéis são, de maneira geral, secundários. Três personagens emblemáticos nos conflitos atuais merecem destaque: o senhor da guerra, a criança-soldado e o refugiado.O senhor da guerra normalmente não pertence ao grupo que está no poder, mas é muito poderoso. Ele é ao mesmo tempo um combatente, um aproveitador sem escrúpulos e um traficante. Combatente, pois é líder de grupos armados. Suas vitórias lhe dão prestígio e seu interesse é prolongar o conflito pelo maior tempo possível.Ele é também inescrupuloso porque se vale compulsoriamente dos recursos da população civil e, eventualmente, interfere ou impede a ação de organismos internacionais de ajuda humanitária. Como traficante, o senhor da guerra participa dos circuitos ilegais de comércio, facilitando o tráfico de drogas, armas e outros produtos como pedras preciosas. Para esse personagem as atividades militares e criminais estão intimamente ligadas. Um dos mais importantes senhores da guerra na África foi o líder da Unita, Jonas Savimbi, que durante quase três décadas dominou amplas áreas de Angola, até ser morto em combate em 2002.Outro personagem dos conflitos atuais é a criança-soldado. Muitas vezes ela tem menos de dez anos e, embora não existam dados confiáveis a respeito, acredita-se que na África existiam pelo menos 200 mil delas. Seu "alistamento" quase sempre acontece de forma brutal. Após ter sido testemunha de atrocidades cometidas contra seus parentes, ela acaba sendo levada, "criada" e treinada pelos algozes de sua família. O desenvolvimento de armas cada vez mais leves pela indústria bélica tem facilitado a ação dessas crianças que, com certa freqüência, encaram os combates como se estivessem participando de uma brincadeira de "guerra".Já o refugiado não tem sexo ou idade; pode ser um homem, uma mulher, uma criança ou um idoso que foram obrigados a deixar o local onde viviam para escapar da guerra e de seu cortejo de horrores. Seu número aumentou consideravelmente nas últimas duas décadas. Uma parcela significativa deles é composta por refugiados internos, isto é, pessoas que saíram ou foram expulsas de seu local de origem, mas não atravessaram fronteiras internacionais.Cerca de 30% dos refugiados do mundo atual encontram-se em solo africano, principalmente em duas áreas. Na África Ocidental, por conta dos conflitos em Serra Leoa, Libéria e Costa do Marfim e na porção centro-oriental do continente, num amplo arco norte-sul que se estende do Sudão, passa pela região "chifre" africano e envolve a região dos Grandes Lagos.