quinta-feira, 26 de março de 2009

Coreia do Norte teria posicionado míssil para lançamento

A Coreia do Norte teria posicionado o que se supõe ser um míssil de longo-alcance na plataforma de lançamentos de Musudan-ri, no nordeste do país, informaram nesta quarta-feira autoridades dos Estados Unidos ouvidas pela rede NBC News . No final do mês passado, o governo norte-coreano havia anunciado o lançamento de um foguete que, segundo Pyongyang, seria usado para colocar em órbita um satélite de telecomunicações.
Seul enviará navios para vigiar ações da Coreia do Norte

Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul, no entanto, suspeitam que, na verdade, o país esteja planejando um teste com um míssil Taepodong-2, que, segundo especialistas, teria a capacidade de atingir os Estados norte-americanos do Alasca e do Havaí.De acordo com o governo norte-coreano, o lançamento do artefato, que teria "propósitos pacíficos", está programado para acontecer entre os dias 4 e 8 de abril. Teme-se, no entanto, que o teste possa acontecer já nos próximos dias.O Taepodong-2 foi testado pela primeira vez pelo governo norte-coreano em 2006, mas falhou menos de um minuto após o lançamento.Após o teste fracassado, a Organização das Nações Unidas aprovou uma resolução que proíbe a Coreia do Norte de desenvolver atividades balísticas.Segundo especialistas, tanto o lançamento de um satélite quanto o teste de um míssil utilizariam Taepodong-2.Falando durante sua visita oficial ao México, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou que uma eventual tentativa por parte da Coreia do Norte de lançar um foguete seria considerada uma "provocação" pelos EUA."Nós fomos absolutamente claros. A intenção que foi comunicada pelos norte-coreanos de lançar um míssil, para qualquer propósito, será considerada um ato de provocação", disse Hillary.A secretária de Estado americana afirmou que seu país poderá recorrer à Organização das Nações Unidas e que um teste balístico comprometeria as chamadas "negociações de seis partes".Estas negociações - das quais também participam Coreia do Sul, Japão, Rússia e China - pretendem fazer com que Pyongyang aceite desmantelar seu programa nuclear em troca de auxílio internacional."Este caminho seguido pela Coreia do Norte terá um custo e consequências nas negociações de seis partes, que gostaríamos de ver retomadas. Pretendemos levar esta violação, caso ela aconteça, ao Conselho de Segurança na ONU".Na terça-feira, o governo norte-coreano já havia afirmado que qualquer sanção da ONU imposta por causa do lançamento significaria o fim das negociações sobre o desmantelamento de seu arsenal nuclear.O governo japonês já ameaçou enviar um navio equipado como um interceptador de mísseis para o Mar do Japão para derrubar o artefato norte-coreano.Nesta quarta-feira, o primeiro-ministro japonês, Taro Aso, afirmou que o conselho de segurança do Japão irá se reunir ainda nesta semana para tratar dos preparativos para a derrubada do míssil, caso ele ameace o país.A Coreia do Norte alertou os EUA, Japão e Coreia do Sul a não interferirem no lançamento.

Banco do Sul deverá ser lançado no segundo semestre, diz ministro venezuelano

O Banco do Sul "já é uma realidade" e deverá ser lançado no segundo semestre deste ano, afirmou nesta quarta-feira o ministro de Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro. O chanceler venezuelano afirmou que o documento de fundação do banco foi finalizado durante a reunião dos ministros de Economia da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), realizada na última segunda-feira, em Caracas."Estamos seguros de que, no segundo semestre deste ano, o Banco do Sul começará as operações", afirmou Maduro, logo depois de uma reunião bilateral com o chanceler argentino, Jorge Taiana, em Buenos Aires, nesta quarta-feira.O banco deverá ser inaugurado com um capital de US$10 bilhões, US$ 3 bilhões a mais do que foi acordado no ano passado.Deste novo total, US$6 bilhões serão injetados em partes iguais por Brasil, Argentina e Venezuela. O restante será complementado em parcelas de US$ 100 milhões por Bolívia, Equador, Paraguai e Uruguai.Depois de oito meses de impasse, os países-membros concordaram em uma fórmula que delimita o poder de decisão de cada país para a aprovação de empréstimos, problema que até agora havia impedido a consolidação do banco.A posição do Brasil era de que os votos dos países que mais aportassem capital no banco deveriam ter maior peso nas decisões.Essa proposta foi rejeitada principalmente pelo Equador, que teria argumentado que essa prática é a mesma aplicada pelo Banco Mundial.O Equador saiu em defesa da equação um país, um voto, independentemente do aporte financeiro destinado à instituição.Segundo uma fonte diplomática ouvida pela BBC Brasil, a solução para esta queda-de-braço foi definida em Caracas, na segunda-feira, por meio de uma "fórmula consensual que contempla as duas posições".O banco irá prever dois tipos de empréstimo, um "simples" e outro "complexo", com patamares de financiamento diferenciados.Para os empréstimos "simples", bastará a aprovação de uma maioria simples (51%) dos votos do Conselho Diretor.Para os projetos "complexos", no entanto, deverá ser aplicada uma fórmula combinada, com a aprovação de dois terços do Conselho Diretor, mais os votos de 66% do capital acionário do banco. Neste caso, Brasil, Argentina e Venezuela exercerão maior peso na decisão final.Essa metodologia, de acordo com a fonte diplomática, será finalizada em maio, durante uma reunião técnica que será realizada em Buenos Aires, para, entre outros detalhes, definir o teto de empréstimos da modalidade "simples".Isso porque os países de economias menores defendem um limite de empréstimo mais elevado, de fácil aprovação.A cautela viria dos ministros da Fazenda do Brasil e Argentina, que defendem a aprovação de um "patamar saudável" e menos arriscado para o banco.O Banco do Sul terá como foco principal o financiamento de projetos de desenvolvimento em infraestrutura e de integração comercial e energética, tanto para o setor público como o privado.A instituição financeira é uma iniciativa lançada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, com a qual ele pretende fazer frente aos organismos multilaterais de financiamento, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Mundial (Bird).No final do ano passado, durante encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Manaus, o presidente venezuelano chegou a defender a criação do banco como uma alternativa regional à crise financeira internacional.O ministro de Finanças da Venezuela, Ali Rodríguez, afirmou na última terça-feira que "o Banco exercerá um papel fundamental no fortalecimento dos aparelhos produtivos de seus integrantes".Depois da reunião técnica em Buenos Aires, o documento deverá ser apresentado durante uma cúpula dos chefes de governo da Unasul, em um ato oficial de fundação do Banco do Sul.Em seguida, o projeto será levado aos respectivos Congressos para a aprovação final.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Índice de Desenvolvimento Juvenil retrata a vulnerabilidade da juventude brasileira

Foi lançado no dia 19/12/08, em Brasília, o Relatório de Desenvolvimento Juvenil 2007, estudo elaborado pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz. O lançamento acontece na sede da Rede de Informação Tecnológica Latino Americana (Ritla), situado na SHS Q.06, Conj. A, Bloco C - Salas 1102 a 1108, Ed. Brasil XXI.


Este é o terceiro relatório sobre o assunto – os anteriores foram divulgados em 2003 e em 2005. Utilizando as bases de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (IBGE), do Subsistema de Informações de Mortalidade (Ministério da Saúde) e do Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Básico (MEC), o estudo elabora um amplo panorama da situação da juventude nas 27 Unidades da Federação.

Lançado pela UNESCO em março de 2004, o Relatório de Desenvolvimento Juvenil revela a situação social e econômica dos jovens brasileiros na faixa de 15 a 24 anos A partir dessa análise, o Relatório propõe um indicador sintético das condições de vida da juventude denominado Índice de Desenvolvimento Juvenil (IDJ). Para sua construção são usados critérios semelhantes aos do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) – educação, saúde e trabalho – adaptando-os de modo a contemplar questões específicas relacionadas aos jovens.

Desta forma, o IDJ foi integrado pelas seguintes dimensões: educação (taxas de analfabetismo, de jovens que freqüentam o Ensino Médio em diante e a qualidade do ensino); saúde (índices de mortalidade por causas violentas e causas internas); e renda, indicada pelo rendimento familiar per capita dos jovens nos estados brasileiros.

A pesquisa dedicou capítulos específicos a cada uma dessas dimensões, verificando a incidência de diversos aspectos, como gênero, cor/raça, rural/urbano para compor um extenso painel dos diversos avanços e limitações no desenvolvimento humano da juventude do país. Além desses capítulos permanentes, o Relatório de 2007 elaborou um adendo para analisar as relações da juventude brasileira com o universo digital, especificamente, com a Internet.


Algumas conclusões da pesquisa:


• No IDJ, os primeiros lugares corresponderam ao Distrito Federal, Santa Catarina e São Paulo, Os últimos lugares no índice correspondem a Alagoas, Pernambuco e Maranhão.
• Resultado de políticas nacionais de combate ao analfabetismo e, fundamentalmente, da recente universalização na cobertura do Ensino Fundamental, o analfabetismo juvenil dá sinais de desaparecer em curto prazo. Se em 1993 a taxa de analfabetos jovens era de 8,2%, em 2001 caiu para 4,2%; em 2003 para 3,4% e em 2006 para 2,4%. A região Nordeste concentra 2/3% dos jovens analfabetos do País e o analfabetismo é maior entre os negros (3,2%) do que entre brancos (1,4%), e entre os homens (3,2%) do que entre as mulheres.
• A partir das avaliações realizadas pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), conclui-se que a qualidade do ensino vem sofrendo erosão contínua desde 1997, com taxas decrescentes de aproveitamento nas provas.
• Só 33% dos jovens tiveram acesso à Internet, taxa que pode ser considerada extremamente baixa se comparada com a dos países da Europa.
O lançamento do Relatório de Desenvolvimento Juvenil 2007 é promovido pela Rede de Informação Tecnológica Latino Americana (RITLA), o Instituto Sangari e o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

Fonte: Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI)


O ranking dos Estados brasileiros segundo o IDJ e os índices parciais, pode ser observado na tabela abaixo. O índice varia de 0 a 1, sendo que quanto mais próximo de zero piores as condições de vida dos jovens.

Unidade da federação - IDJ

Santa Catarina
0,673
Distrito Federal
0,652
Rio Grande do Sul
0,646
São Paulo
0,622
Paraná
0,600
Minas Gerais
0,565
Goiás
0,558
Rio de Janeiro
0,557
Mato Grosso do Sul
0,543
Mato Grosso
0,530
Espírito Santo
0,502
Rio Grande do Norte
0,479
Tocantins
0,474
Amapá
0,473
Rondônia
0,472
Bahia
0,463
Maranhão
0,442
Ceará
0,440
Pará
0,438
Amazonas
0,428
Sergipe
0,425
Piauí
0,423
Roraima
0,413
Paraíba
0,396
Acre
0,385
Pernambuco
0,361
Alagoas
0,337

A crise financeira que atinge a economia dos EUA

A crise no mercado hipotecário dos EUA é uma decorrência da crise imobiliária pela qual passa o país, e deu origem, por sua vez, a uma crise mais ampla, no mercado de crédito de modo geral. O principal segmento afetado, que deu origem ao atual estado de coisas, foi o de hipotecas chamadas de "subprime", que embutem um risco maior de inadimplência.
O mercado imobiliário americano passou por uma fase de expansão acelerada logo depois da crise das empresas "pontocom", em 2001. Os juros do Federal Reserve (Fed, o BC americano) vieram caindo para que a economia se recuperasse, e o setor imobiliário se aproveitou desse momento de juros baixos. A demanda por imóveis cresceu, devido às taxas baixas de juros nos financiamentos imobiliários e nas hipotecas. Em 2003, por exemplo, os juros do Fed chegaram a cair para 1% ao ano.
Em 2005, o "boom" no mercado imobiliário já estava avançado; comprar uma casa (ou mais de uma) tornou-se um bom negócio, na expectativa de que a valorização dos imóveis fizesse da nova compra um investimento. Também cresceu a procura por novas hipotecas, a fim de usar o dinheiro do financiamento para quitar dívidas e, também, gastar (mais).
As empresas financeiras especializadas no mercado imobiliário, para aproveitar o bom momento do mercado, passaram a atender o segmento "subprime". O cliente "subprime" é um cliente de renda muito baixa, por vezes com histórico de inadimplência e com dificuldade de comprovar renda. Esse empréstimo tem, assim, uma qualidade mais baixa --ou seja, cujo risco de não ser pago é maior, mas oferece uma taxa de retorno mais alta, a fim de compensar esse risco.
Em busca de rendimentos maiores, gestores de fundos e bancos compram esses títulos "subprime" das instituições que fizeram o primeiro empréstimo e permitem que uma nova quantia em dinheiro seja emprestada, antes mesmo do primeiro empréstimo ser pago. Também interessado em lucrar, um segundo gestor pode comprar o título adquirido pelo primeiro, e assim por diante, gerando uma cadeia de venda de títulos.
Porém, se a ponta (o tomador) não consegue pagar sua dívida inicial, ele dá início a um ciclo de não-recebimento por parte dos compradores dos títulos. O resultado: todo o mercado passa a ter medo de emprestar e comprar os "subprime", o que termina por gerar uma crise de liquidez (retração de crédito).
Após atingir um pico em 2006, os preços dos imóveis, no entanto, passaram a cair: os juros do Fed, que vinham subindo desde 2004, encareceram o crédito e afastaram compradores; com isso, a oferta começa a superar a demanda e desde então o que se viu foi uma espiral descendente no valor dos imóveis.
Com os juros altos, o que se temia veio a acontecer: a inadimplência aumentou e o temor de novos calotes fez o crédito sofrer uma desaceleração expressiva no país como um todo, desaquecendo a maior economia do planeta --com menos liquidez (dinheiro disponível), menos se compra, menos as empresas lucram e menos pessoas são contratadas.
No mundo da globalização financeira, créditos gerados nos EUA podem ser convertidos em ativos que vão render juros para investidores na Europa e outras partes do mundo, por isso o pessimismo influencia os mercados globais.
Financiadoras
Em setembro do ano passado, o BNP Paribas Investment Partners --divisão do banco francês BNP Paribas-- congelou cerca de 2 bilhões de euros dos fundos Parvest Dynamic ABS, o BNP Paribas ABS Euribor e o BNP Paribas ABS Eonia, citando preocupações sobre o setor de crédito 'subprime' (de maior risco) nos EUA. Segundo o banco, os três fundos tiveram suas negociações suspensas por não ser possível avaliá-los com precisão, devido aos problemas no mercado "subprime" americano.
Depois dessa medida, o mercado imobiliário passou a reagir em pânico e algumas das principais empresas de financiamento imobiliário passaram a sofrer os efeitos da retração; a American Home Mortgage (AHM), uma das 10 maiores empresa do setor de crédito imobiliário e hipotecas dos EUA, pediu concordata. Outra das principais empresas do setor, a Countrywide Financial, registrou prejuízos decorrentes da crise e foi comprada pelo Bank of America.
Bancos como Citigroup, UBS e Bear Stearns têm anunciado perdas bilionários e prejuízos decorrentes da crise. Entre as vítimas mais recentes da crise estão as duas maiores empresas hipotecárias americanas, a Fannie Mae e a Freddie Mac. Consideradas pelo secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, "tão grandes e tão importantes em nosso sistema financeiro que a falência de qualquer uma delas provocaria uma enorme turbulência no sistema financeiro de nosso país e no restante do globo", no dia 7 deste mês foi anunciada uma ajuda de até US$ 200 bilhões.
As duas empresas possuem quase a metade dos US$ 12 trilhões em empréstimos para a habitação nos EUA; no segundo trimestre, registraram prejuízos de US$ 2,3 bilhões (Fannie Mae) e de US$ 821 milhões (Freddie Mac).
Menos sorte teve o Lehman Brothers: o governo não disponibilizou ajuda como a que foi destinada às duas hipotecárias. O banco previu na semana passada um prejuízo de US$ 3,9 bilhões e chegou a anunciar uma reestruturação. Antes disso, o banco já havia mantido conversas com o KDB (Banco de Desenvolvimento da Coréia do Sul, na sigla em inglês) em busca de vender uma parte sua, mas a negociação terminou sem acordo.
O Bank of America e o Barclays também recuaram, depois que ficou claro que o governo não iria dar suporte à compra do Lehman. Restou ao banco entregar à Corte de Falências do Distrito Sul de Nova York um pedido de proteção sob o "Capítulo 11", capítulo da legislação americana que regulamenta falências e concordatas.
Combate
Como medida emergencial para evitar uma desaceleração ainda maior da economia --o que faz crescer o medo que o EUA caiam em recessão, já que 70% do PIB americano é movido pelo consumo--, o presidente americano, George W. Bush, sancionou em fevereiro um pacote de estímulo que incluiu o envio de cheques de restituição de impostos a milhões de norte-americanos.
O pacote estipulou uma restituição de US$ 600 para cada contribuinte com renda anual de até US$ 75 mil; e US$ 1.200 para casais com renda até US$ 150 mil, além de US$ 300 adicionais por filho. Quem não paga imposto de renda, mas recebe o teto de US$ 3 mil anuais, teve direito a cheques de US$ 300.
FONTE: Folha Online

sábado, 31 de janeiro de 2009

Espaço geográfico e paisagem

Espaço geográfico
A paisagem construída pela sociedade

Quando você abre a janela e observa a rua, ou o que houver ao redor de sua casa, você está diante de uma paisagem.Esteja no campo, ou na cidade, você observará elementos que podem ser naturais ou construídos pelos seres humanos.Os elementos naturais numa paisagem são, por exemplo: as árvores (e outros tipos de plantas que não foram cultivadas pelas pessoas), os rios, o solo, os morros, o mar. Há paisagens nas quais existem muitos elementos naturais, como as que podemos observar em florestas (a Amazônica, por exemplo, que vem sofrendo com o desmatamento acelerado nos últimos anos).
Já os elementos da paisagem que foram construídos pelos seres humanos, pelas mulheres e homens, são chamados de humanizados, culturais ou mesmo artificiais. São as casas, os edifícios, as ruas, os viadutos, as plantações (cultivos), as pastagens formadas pelas pessoas. Esses elementos são um resultado da ação humana, do trabalho de mulheres e homens.

Mas nas paisagens também existem outros aspectos percebidos pelos nossos sentidos: os sons, os cheiros, os movimentos - a circulação de pessoas e de veículos.

Paisagem humanizada
Considerando os movimentos nas paisagens, podemos perceber que elas mudam de um momento para outro. Por isso, afirmamos que elas são dinâmicas, estão sendo constantemente modificadas. Elas podem ser modificadas também: quando casas ou prédios são derrubados, e outros são construídos; quando uma área de floresta é desmatada; quando ocorre uma colheita numa área cultivada, por exemplo, com arroz; quando ruas, viadutos, pontes, rodovias, são construídos, etc.No mundo atual praticamente não existe paisagem natural; são muito restritas as áreas onde existem apenas elementos naturais. Os oceanos, por exemplo, são constantemente atravessados por navios de todo tipo, seus recursos são explorados (inclusive de seu subsolo), em seus leitos há milhares de quilômetros de cabos submarinos feitos de cobre ou fibra óptica, que possibilitam as comunicações entre milhões de pessoas de diferentes continentes, diariamente. Em diversos trechos da floresta Amazônica são desenvolvidas pesquisas, atividades de exploração, muitas delas prejudiciais ao ambiente.A paisagem humanizada (artificial ou cultural) é a que está presente nos mais vastos recantos do planeta. Nela coexistem elementos naturais e artificiais, havendo uma predominância destes últimos. No entanto, é preciso considerar que mesmo muitas plantas que existem nas paisagens bastante humanizadas, como as das grandes cidades, não apareceram e cresceram naturalmente, elas foram plantadas pelas pessoas. A sua existência, portanto, naquele determinado local, é resultado da ação humana.

Modificações e descobertas

Nas paisagens também encontramos elementos que foram construídos em diferentes épocas. Muitas vezes, em áreas onde a ocupação humana é antiga e contínua, verifica-se a presença de construções de diferentes períodos históricos. Em relação a isso, podemos pensar, por exemplo, em regiões da Índia e da Itália. Mas podemos também considerar algumas cidades brasileiras que foram fundadas no primeiro século da presença dos portugueses no Brasil: Olinda, Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, entre outras. Nessas cidades e em muitas outras coexistem o velho e o novo, o antigo e o moderno.As modificações nas paisagens também estão relacionadas com as novas descobertas que os seres humanos vão realizando, em termos tecnológicos, que fazem surgir novos modos de se produzir, novas mercadorias e novas formas arquitetônicas, entre outros. Por outro lado, há mudanças nas paisagens que são resultado de fatores naturais como a alternância entre o dia e a noite, e entre as estações do ano (quando podem ser percebidas, dependendo da localização); ou até de terremotos, por exemplo.

Espaço geográfico

Se fossemos consultar num dicionário a palavra espaço, constataríamos que há uma grande quantidade de significados. Para geografia o espaço são as paisagens, as relações que se estabelecem entre as pessoas (sociais, econômicas, políticas, etc.), as relações entre as pessoas e a natureza, e as próprias pessoas. Esse espaço é chamado de espaço geográfico.Percebemos, assim, que a noção de espaço geográfico é mais ampla que a de paisagem. Ao pensarmos no espaço geográfico estamos pensando nos elementos e aspectos que existem nas paisagens, mas também nas diversas ações que as pessoas realizam nas paisagens. Essas ações correspondem aos variados tipos de atividades humanas: trabalho, estudo, lazer. Envolvem, portanto, relações econômicas, sociais e políticas. Trata-se de algo bastante dinâmico.

ATIVIDADE

As imagens mostram a cidade de Essen, na Alemanha, em três momentos históricos. Observe-as com toda atenção e faça a descrição de cada uma. Posteriormente, elabore um texto relacionando-as.

Tema: "As transformações da paisagem na cidade de Essen".
CONCEITOS DESENVOLVIDOS NA ATIVIDADE: paisagem e espaço geográfico.




ESSEN - 1829



ESSEN - 1867




ESSEN - HOJE
Terra Geographie 1. Stuttgart, Klett, 1991. Fonte: Adaptado do vestibular - PUC/SP (1995).
Profº Rodrigo/Geografia

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

IDH



Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009

Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)


Imagem capturada na Internet

Tal como prometi aos alunos, estou disponibilizando a lista dos países que constam no Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) de 2007-2008, divulgado no final do ano passado (novembro), porém os dados utilizados são de 2005.Desde o início dos anos 90, a Organização das Nações Unidas (ONU) passou a classificar anualmente os países em função da qualidade de vida, a qual é expressa através do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).Esse índice expressa a qualidade de vida das pessoas com base na renda per capita, no grau de saúde e nas condições educacionais da população.A renda per capita corresponde à renda nacional de um país dividida pelo número de seus habitantes. A renda nacional é a soma de todos os rendimentos recebidos durante um ano pelos habitantes de um país, como salários, lucros, aluguéis, juros etc.O grau de saúde é indicado pela expectativa de vida, isto é, pelo número de anos que as pessoas vivem em média, o que – por sua vez – depende muito dos índices de mortalidade, na qual se inclui a mortalidade infantil.As condições de educação referem-se aos índices de analfabetismo e à taxa de matrículas no Ensino Fundamental, Médio e Superior.
Como vimos, em sala de aula, a tabela de conversão do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) varia de 0 a 1, na seguinte ordem:

- igual ou maior que 0,800 (IDH elevado)

- de 0,500 a 0,799 (IDH médio)

- menor que 0,500 (IDH baixo).

Neste último Relatório, o Brasil ocupa o 70º da lista, estando na categoria dos países de IDH elevado, ou seja, ele se configura entre os 70 países com qualidade de vida alto.Será que os indicadores utilizados, principalmente de ordem econômica, é adequado para avaliar a realidade dos países, principalmente, os subdesenvolvidos, onde a má distribuição de renda é algo bastante expressivo? Será que ele não escamoteia a realidade?Vamos discutir isso, em sala de aula, à partir da charge abaixo:



Imagem capturada na Internet
IDH Elevado
1. Islândia (0,968)2. Noruega (0,968)3. Austrália (0,962)4. Canadá (0,961)5. Irlanda (0,959)6. Suécia (0,956)7. Suíça (0,955)8. Japão (0,953)9. Holanda (0,953)10. França (0,952)11. Finlândia (0,952)12. Estados Unidos (0,951)13. Espanha (0,949)14. Dinamarca (0,949)15. Áustria (0,948)16. Reino Unido (0,946)17. Bélgica (0,946)18. Luxemburgo (0,944)19. Nova Zelândia (0,943)20. Itália (0,941)21. Hong Kong (China RAE - 0,937)22. Alemanha (0,935)23. Israel (0,932)24. Grécia (0,926)25. Singapura (0,922)26. Coréia do Sul (0,921)27. Eslovênia (0,917)28. Chipre (0,903)29. Portugal (0,897)30. Brunei (0,894)31. Barbados (0,892)32. República Tcheca (0,891)33. Kuwait (0,891)34. Malta (0,878)35. Catar (0,875)36. Hungria (0,874)37. Polônia (0,870)38. Argentina (0,869)39. Emirados Árabes Unidos (0,868)40. Chile (0,867)41. Barém (0,866)42. Eslováquia (0,863)43. Lituânia (0,862)44. Estônia (0,860)45. Letônia (0,855)46. Uruguai (0,852)47. Croácia (0,850)48. Costa Rica (0,846)49. Bahamas (0,845)50. Seichelles (0,843)51. Cuba (0,838)52. México (0,829)53. Bulgária (0,824)54. São Cristovam e Névis (0,821)55. Tonga (0,819)56. Líbia (0,818)57. Antígua e Barbuda (0,815)58. Omã (0,814)59. Trinidade e Tobago (0,814)60. Romênia (0,813)61. Arábia Saudita (0,812)62. Panamá (0,812)63. Malásia (0,811)64. Belarus (Bielorrúsia - 0,804)65. Maurício (0,804)66. Bósnia e Herzegovina (0,803)67. Federação Russa (0,802)68. Albânia (0,801)69. Macedônia (0,801)70. Brasil (0,800)
IDH MÉDIO
71. Dominica (0,798)72. Santa Lúcia (0,795)73. Cazaquistão (0,794)74. Venezuela (0,792)75. Colômbia (0,791)76. Ucrânia (0,788)77. Samoa Ocidental (0,785)78. Tailândia (0,781)79. República Dominicana (0,779)80. Belize (0,778)81. China (0,777)82. Granada (0,777)83. Armênia (0,775)84. Turquia (0,775)85. Suriname (0,774)86. Jordânia (0,773)87. Peru (0,773)88. Líbano (0,772)89. Equador (0,772)90. Filipinas (0,771)91. Tunísia (0,766)92. Fiji (0,762)93. São Vicente e Granadinas (0,761)94. Irã (0,759)95. Paraguai (0,755)96. Geórgia (0,754)97. Guiana (0,750)98. Azerbaijão (0,746)99. Sri Lanka (0,743)100. Maldivas (0,741)101. Jamaica (0,736)102. Cabo Verde (0,736)103. El Salvador (0,735)104. Argélia (0,733)105. Vietname (0,733)106. Palestina (0,731)107. Indonésia (0,728)108. Síria (0,724)109. Turquemenistão (0,713)110. Nicarágua (0,710)111. Moldávia (0,708)112. Egito (0,708)113. Usbequistão (0,702)114. Mongólia (0,700)115. Honduras (0,700)116. Quirguistão (0,696)117. Bolívia (0,695)118. Guatemala (0,689)119. Gabão (0,677)120. Vanuatu (0,674)121. África do Sul (0,674)122. Tajiquistão (0,673)123. São Tomé e Príncipe (0,654)124. Botswana (0,654)125. Namíbia (0,650)126. Marrocos (0,646)127. Guiné Equatorial (0,642)128. Índia (0,619)129. Ilhas Salomão (0,602)130. Laos (0,601)131. Cambodja (0,598)132. Mianmar (0,583)133. Butão (0,579)134. Comores (0,561)135. Gana (0,553)136. Paquistão (0,551)137. Mauritânia (0,550)138. Lesoto (0,549)139. Congo (0,548)140. Bangladesh (0,547)141. Suazilândia (0,547)142. Nepal (0,534)143. Madagáscar (0,533)144. Camarões (0,532)145. Papua Nova-Guiné (0,530)146. Haiti (0,529)147. Sudão (0,526)148. Quênia (0,521)149. Djibouti (0,516)150. Timor Leste (0,514)151. Zimbabué (0,513)152. Togo (0,512)153. Iêmen (0,508)154. Uganda (0,505)155. Gâmbia (0,502)
IDH BAIXO
156. Senegal (0,499)157. Eritréia (0,483)158. Nigéria (0,470)159. Tanzânia (0,467)160. Guiné (0,456)161. Ruanda (0,452)162. Angola (0,446)163. Benim (0,437)164. Malawi (0,437)165. Zâmbia (0,434)166. Costa do Marfim (0,432)167. Burundi (0,413)168. Congo, Rep. Democrática (0,411)169. Etiópia (0,406)170. Chade (0,388)171. República Centro-Africana (0,384)172. Moçambique (0,384)173. Mali (0,380)174. Níger (0,374)175. Guiné-Bissau (0,374)176. Burquina-Faso (0,370)177. Serra Leoa (0,336)

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Evolução da população das regiões brasileiras nos últimos 50 anos

Nos últimos 50 anos, a população brasileira teve seu efetivo mais que duplicado (2,4 vezes), passando de pouco mais de 70 milhões em 1960, para cerca de 170 milhões segundo os dados do censo 2000. Como pode se ver, ao longo da segunda metade do século XX, o contingente populacional brasileiro foi acrescido de aproximadamente 100 milhões de pessoas, isto é, quase três vezes a população da Argentina.Se em números absolutos a população sempre cresceu, a taxa média de crescimento anual vem apresentando significativa diminuição. Assim, segundo o censo de 1960 (que revelou as tendências demográficas da década anterior), o ritmo de crescimento da população brasileira naquela data era ligeiramente superior a 3,0%. O censo de 2000 revelou que esta taxa caiu para quase a metade (1,6%). A principal explicação para esta queda tem sido a redução do ritmo do crescimento vegetativo, causado principalmente pela expressiva queda das taxas de natalidade. Grande parte dessa situação é decorrência do intenso e rápido processo de urbanização pelo qual o país vem passando.Quando analisamos o crescimento populacional sob a ótica das regiões político-administrativas que compõem o país, poderemos constatar uma série de fatos. Primeiramente, a população absoluta de todas as regiões apresentou um expressivo crescimento, embora o ritmo desse incremento tenha sido bastante diferenciado. Por exemplo, as regiões Norte e Centro-Oeste tiveram no período, um ritmo de crescimento sempre superior a média brasileira, enquanto a Região Nordeste sempre foi aquela área do Brasil que apresentou os menores índices de incremento populacional. Essa variação nos ritmos de crescimento é explicada fundamentalmente por dois aspectos: as diferenças na intensidade do crescimento vegetativo de cada região e as migrações internas.Neste ponto, vale a pena chamar a atenção para outros dois aspectos da evolução demográfica das regiões. O primeiro deles é que, embora o crescimento vegetativo venha apresentando uma queda de ritmo em todas as unidades regionais, este decréscimo tem se verificado de forma diferente no tempo e no espaço. Assim, nas regiões consideradas mais desenvolvidas (Sul e Sudeste), a diminuição aconteceu antes que no Norte e Nordeste, as duas áreas tidas como as menos desenvolvidas do país..Um segundo aspecto é que o comportamento das migrações internas também mudou, especialmente no que diz respeito às origens e destinos dos deslocamentos. Entre as décadas de 1950/70, os mais expressivos fluxos populacionais verificavam-se entre as regiões (especialmente do Nordeste para as outras unidades regionais) e tinham fundamentalmente origem rural e destino urbano. Da década de 1980 em diante, os mais expressivos deslocamentos internos da população passaram a ser mais intra-regionais e ter origem urbana (pequenas e médias cidades) e destino urbano (médias e grandes cidades).Apesar de todas transformações pelas quais o Brasil passou nos últimos 50 anos, praticamente não houve alteração no ranking das regiões mais e menos populosas do país. Aquelas com maior população absoluta atual, isto é, a Sudeste (72,3 milhões), a Nordeste (47,7 milhões) e a Sul (25,1 milhões) mantiveram-se, como em 1960, nas primeiras colocações. A única modificação ocorreu na colocação das regiões Norte e Centro-Oeste que contam hoje, respectivamente, com 12,9 milhões e 11,6 milhões de habitantes.Até o censo de 1980, o Centro-Oeste era mais populoso que o Norte, situação esta que se inverteu em 1991. A explicação para o fato é principalmente de natureza político-administrativa: em 1988 foi criado o estado do Tocantins, desmembrado de Goiás, um estado do Centro-Oeste. O novo estado foi então incorporado à Região Norte que, com isso, passou a ter cerca de 900 mil pessoas a mais em seu efetivo populacional.Uma evolução peculiar: o caso da Região NorteA Região Norte que possuía cerca de 2,5 milhões de pessoas em 1960, teve seu efetivo aumentado cerca de 5 vezes, passando para quase 13 milhões em 2000. O ritmo de crescimento da população regional passou por dois momentos distintos. Entre as décadas de 1950 `e 1970, o ritmo foi crescente; nas décadas posteriores, esse ritmo diminuiu. Mesmo assim, desde os anos 70, a região tem sido aquela que apresenta os maiores ritmos de crescimento dentre todas as unidades regionais do país.O aumento do efetivo demográfico da maior e menos populosa região do Brasil, é explicado por um conjunto de fatores onde se ressaltam as migrações internas. A criação da Zona Franca de Manaus, a implantação de projetos agrominerais, pecuários e florestais, a construção de rodovias de integração e a descoberta de ouro, atraíram expressivos contingentes de pessoas de outras regiões, a maioria delas proveniente do Nordeste, Sul e Sudeste.De maneira geral, os migrantes nordestinos dirigiram-se especialmente para o Tocantins, as porções meridionais do Pará, o Amapá e Roraima. Muitos vieram atraídos pela descoberta de veios e garimpos de ouro. Outros, em busca de terras, estabeleceram-se como posseiros em terras devolutas ou de latifúndios improdutivos. Alguns, ainda, se empregaram em projetos minerais, florestais ou participaram da construção de estradas e usinas hidrelétricas.Já os fluxos migratórios originários do Sul e do Sudeste foram atraídos pelos processos particulares de colonização. Implantados por empresas privadas, estes projetos ofereciam terras a preços baixos, especialmente em Rondônia. Assim, paranaenses, gaúchos, mineiros, dentre outros, estabeleceram-se como pequenos proprietários e, não só foram responsáveis pelo surgimento de novas áreas de agricultura comercial modernizada, como também pelo aparecimento e crescimento explosivo de novas cidades.Todavia, o fluxo de imigrantes para a Região Norte na década de 1990, embora ainda expressivo, diminuiu sensivelmente. A migração originária do Sul e do Sudeste praticamente estancou. Rondônia, o maior pólo de recepção de migrantes na década de 70, foi substituído por Roraima na década seguinte. Este último estado, por sua vez, foi substituído pelo Amapá como o maior centro receptivo de migrantes na ultima década do século XX.Por fim, um outro aspecto que vale destacar é o grande desequilíbrio demográfico existente entre os estados que compõem o Norte do país. Assim, o Pará concentra atualmente quase metade (47,9%) da população regional , seguido do Amazonas (21,7%). Portanto, apenas essas duas unidades federativas, das sete que compõem a região, concentram praticamente 70% de todo o efetivo da população regional.